O que está em jogo


Marlene Marques Ávila

Quando pensamos que já se viu de tudo em campanhas eleitorais, seja para quais cargos eletivos forem, os candidatos se superam. Refiro-me ao convidado nada especial da Convenção Nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro para o cargo do principal mandatário da república, o presidente da Argentina Javier Milei.
A repercussão negativa foi imediata, não apenas pelas implicações jurídico-eleitorais do fato (abuso de poder, utilização de bens públicos e recursos financeiros de governos estrangeiros para intromissão em questões internas), mas sobretudo, pelas ofensas direcionadas pelo citado governante ao Presidente da República e ao Poder Judiciário brasileiro.
Mas a quem serve Milei? Aqui é preciso relembrar algumas coisas cujas conexões precisam ficar claras enquanto intromissão do governo dos Estados Unidos na pré-campanha eleitoral, como os tarifaços sobre as exportações brasileiras e a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado visando questionar a lisura das urnas eletrônicas brasileiras, como forma de deslegitimar o processo eleitoral.
Esses são fatos que claramente visam desestabilizar o processo em curso, e decorrem da política americana imperialista de Donald Trump de olho nas riquezas naturais do Brasil, leia-se terras raras – elementos químicos básicos para fabricar produtos de alta tecnologia – cuja segunda maior reserva global está no território nacional. É a esse senhor que serve o atual presidente argentino, menosprezando o que deveria ser de seu mais alto interesse, a soberania da América Latina.
Contudo, o avanço do neofascismo nessa parte do continente é um fato, haja vista a maioria dos países ser atualmente governada por políticos de centro-direita e extrema-direita. Aliado a tudo isso, não podemos esquecer o grande poderio do senhor da guerra em uma outra frente. Ele é o presidente do país que detém big techs como Meta, Google, Facebook, Whatsapp, e nós bem sabemos o mal que as fake news fizeram na eleição de 2018.
Assim, o que está em jogo na atual eleição é que país nós desejamos. Vamos manter nossa soberania ou voltaremos a ser colônia?

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Marlene Marques Ávila

E-mail: marquesavilamarlene@gmail.com

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