Eu falei que não ia torcer


Marlene Marques Ávila

Eu falei que não ia torcer
Desde quando o Brasil deixou de ser o país do futebol? Minhas lembranças de criança e adolescente rememoram meu pai e meus irmãos orgulhosos ao afirmar que o Brasil era o país do futebol, o país de Pelé, Garrincha, Rivelino, Tostão, Gérson e tantos outros craques que elevaram o país por cinco vezes ao topo do futebol mundial – isso não é pouca coisa – diziam eles. Meus filhos, netos e sobrinhos deram continuidade ao fanatismo por futebol das gerações masculinas da minha família, às quais devo o pouco que sei sobre futebol.
Assim como existe o fumante passivo, eu sou uma torcedora passiva, assisto por tabela os programas sobre futebol e as discussões infindas sobre o tema, o que acaba me intoxicando um pouco, e passo a torcer pelos times que eles torcem porque quero vê-los felizes, o que é uma armadilha.
Tudo que ouvi sobre a Copa de 2026 e a participação do Brasil, me fez perceber que para as novas gerações, o fato do Brasil ser o único pentacampeão do futebol mundial e também único país que participou de todas as Copas do Mundo não é suficiente, dado o jejum de título mundial que já dura 24 anos. Meus netos ainda não tiveram a alegria de ver o Brasil ganhar uma copa mundial. E como eu queria me alegrar com eles, mas não foi dessa vez.
O insucesso da seleção para qualquer ser racional, o que decididamente o torcedor não é, era algo com mais chances de acontecer que o contrário, pela campanha que fez nas eliminatórias, a troca de treinadores, e algo mais grave que isso – temos muitos grandes e valorosos jogadores mas não temos um time, uma equipe.
Por tudo isso, eu estava totalmente descrente com a participação do Brasil. A primeira partida contra o Marrocos, só aumentou a descrença, mas não é que, em seguida, as vitorias contra Haiti, Escócia e Japão acenderam a esperança? Parece que agora vai, vai dá certo! Que nada, o Brasil perdeu para a Noruega nas oitavas de final, pior não foi perder, mas a forma como perdeu.
Os onze em campo jogaram sem raça, sem garra, sem amor pela camisa amarela, que em tempos passados era o temor dos adversários. E não é que, aquele jogador, que para muitos era a esperança, quase uma certeza de que faria a diferença, teve uma atuação infame no degradante Brasil 1 X Noruega 2? Foi uma participação inglória, com gosto de vergonha, o da nossa seleção nesse mundial.
Não sei se fiquei com mais raiva da seleção ou de mim mesma por me iludir, não estava vendo o desempenho de timaços como a França, Espanha, Argentina? – Estava, se iludiu porque quis, me diz o superego – como disse, há algo de irracional na torcida.
Assim, o jejum de troféu mundial continuará. Por quanto tempo mais, meus netos esperarão para gritar Brasil hexacampeão do mundo? Só o sabem os deuses do futebol, mas...daqui há quatro anos haverá outra Copa do Mundo!

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Marlene Marques Ávila

E-mail: marquesavilamarlene@gmail.com

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