E assim começa 2026


Marlene Marques Ávila


No alvorecer do ano de 2026, o mundo ficou estupefato, embora a tragédia tenha sido amplamente anunciada, com a invasão militar norte americana à Venezuela. Donald Trump, o dono do mundo, sequestrou o presidente e a primeira dama do país e declarou que ocupará a Venezuela até que haja a condição de realizar uma “transição segura, adequada e criteriosa”, na sua própria concepção do que venha a ser tais coisas. O que de fato lhe interessa? Explorar o petróleo do país que tem as maiores reservas mundiais. Para isso pouco importa a violação da soberania e o uso da força e coerção para determinar o futuro político de outro país, abrindo um perigoso precedente.
O presidente americano se vangloriou do ataque à Venezuela, disse que deu liberdade ao país, alguém aí acredita nisso? Desde quando os Estados Unidos se preocupam com governantes tiranos, ou melhor ainda, quantas ditaduras foram impostas com seu apoio, desde que seus interesses sejam acolhidos?
Mas ele não parou por aí, também deseja a Groenlândia, pelo mesmo motivo, os minérios essenciais para a tecnologia de ponta, gás, mais petróleo e um adicional muito perigoso para alguém com a sede de poder daquele senhor, por sua localização geográfica, a ilha é considerada estratégica para a defesa dos EUA.
Calma que ainda tem. Em mais uma de suas tantas manifestações de completo desprezo aos organismos internacionais multilaterais, e mais precisamente à ONU, Trump anunciou que está criando um Conselho de Paz, não, você não leu errado, segundo seu criador, o conselho é de paz! Seria uma espécie de alternativa à Assembleia Geral das Nações Unidas, a ser composto por líderes de países escolhidos segundo os seus próprios critérios, cruz credo! Mas não basta atender aos critérios, é preciso pagar a bagatela de um bilhão de dólares, para integrar o tal conselho, quem manda, desmanda, veta ou não veta tudo? Somente o criador!
O homem investe também em outras frentes. Ameaça atacar o Irã, que vive um cenário caótico, no qual desde dezembro passado a ditadura teocrática já matou milhares de manifestantes que protestam contra a tirania dos aiatolás, governantes do país há quase cinquenta anos.
Como vemos, o mundo assiste, e acho que o verbo é esse mesmo, uma mudança nas relações de poder entre os países, determinada pelas ações de um único homem, claro que com todo um team que o assessora, o qual não tem o menor respeito pelo direito internacional, pela soberania das nações e tampouco pelo ser humano.
Está em processo uma nova configuração da ordem mundial, imposta de forma unilateral, e num primeiro momento, parece haver ausência de mecanismos eficientes de resposta. Lembram da cena icônica do filme O grande ditador em que o personagem de Chaplin brinca com o globo terrestre?
Para falar de outras frentes, ocorreu, em pleno inverno europeu, um apagão em Berlim que afetou quarenta e cinco mil casas, deixando as pessoas por quatro horas, sem água quente calefação e eletricidade. Segundo informes, o ataque faz parte dos esforços russos para desestabilizar países europeus, a chamada guerra híbrida.
Em Portugal, a eleição para presidente terá um segundo turno, algo que não acontecia desde a redemocratização do país. A eleição será decidida entre os candidatos da centro-esquerda, Antonio Seguro, e o da e extrema direita, André Ventura, o qual, se autointitula o Bolsonaro português. Deus proteja nossos irmãos lusitanos!
Para finalizar, recebi uma mensagem num dos tantos grupos de whatsapp com a seguinte advertência: “ Não é 2026, é você. Ou você muda, ou tudo se repete”.
Então o que estamos vendo nem bem o ano começou é isso, uma repetição de erros, cujas consequências, é temerário adiantar por enquanto.

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Marlene Marques Ávila

E-mail: marquesavilamarlene@gmail.com

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